Há 29 anos na profissão, Soely Rosa construiu seu próprio negócio e destaca a importância da união entre profissionais para criar oportunidades e fortalecer o setor
Por Laiz Amorim
No começo, a formação exigia conhecimento em diferentes
procedimentos oferecidos pelos salões. Era preciso aprender de tudo um pouco
para sair preparada para atender os clientes e encarar o mercado de trabalho.
“Costumo dizer que, para garantir seu diploma, tinha que
aprender de A a Z. Você saía capacitado para o mercado de trabalho, sem medo de
exercer a profissão”, lembra.
De lá para cá, o mercado da beleza mudou bastante. Com a
internet, o acesso a cursos e conteúdos de aperfeiçoamento ficou mais fácil,
abrindo novas possibilidades para quem deseja começar na área ou aprimorar o
que já sabe. Para Soely, o setor é promissor, mas exige dedicação e atenção ao
atendimento, já que a experiência de um cliente pode ganhar grande repercussão
nas redes sociais.
Além da qualificação, porém, existe outro ponto que ela
considera importante para o crescimento da profissão: a união entre os próprios
profissionais.
Quando a experiência é compartilhada, todos podem crescer
Ao longo de sua trajetória, Soely percebeu que nem sempre
existe espaço para a troca de conhecimentos entre quem já está no mercado e
quem está começando. Na avaliação dela, compartilhar experiências e abrir
portas para outros profissionais poderia tornar a caminhada menos difícil.
“São poucos os profissionais que abrem o leque para ajudar,
passando suas experiências ou até mesmo dando oportunidades”, afirma.
Essa percepção se relaciona diretamente com a proposta do
cooperativismo, que tem na colaboração e na união em torno de objetivos comuns
alguns de seus principais fundamentos. A ideia é mostrar que o crescimento não
precisa acontecer de forma isolada: quando as pessoas compartilham conhecimentos,
experiências e oportunidades, podem fortalecer suas atividades e contribuir
para o desenvolvimento de todo o setor.
Na área da beleza, essa colaboração pode acontecer de diferentes formas, como parcerias entre profissionais, troca de técnicas, capacitações conjuntas e iniciativas que ajudem pequenos empreendedores a enfrentar desafios comuns. Essas conexões também podem contribuir para movimentar a economia local, gerar oportunidades de trabalho e ampliar a oferta de serviços à população.
A história de Soely ajuda a mostrar a realidade de quem
empreende por conta própria e precisa lidar com diferentes responsabilidades
para manter o negócio funcionando. Embora tenha construído sua clientela com o
próprio trabalho, ela reconhece que a troca de experiências pode fazer
diferença para quem deseja conquistar espaço no mercado.
Empreender exige dedicação e planejamento
Montar o salão em casa permitiu que Soely conciliasse a
maternidade com a vida profissional. Com o tempo, ela também aprendeu que
trabalhar por conta própria exige organização e disciplina para separar a
rotina familiar das responsabilidades do negócio.
O ambiente precisa estar preparado para receber os clientes,
com atenção à higiene, à ética e à qualidade do atendimento. Na parte
administrativa, é necessário separar as despesas da casa das contas da empresa,
lidar com os impostos e investir na divulgação dos serviços.
Esses desafios fazem parte da realidade de muitos pequenos
empreendedores. Nesse cenário, iniciativas de cooperação e apoio mútuo podem
contribuir para ampliar o acesso à informação, facilitar o aprendizado e ajudar
os profissionais a encontrar soluções para dificuldades que muitas vezes são
comuns a todos.
Para o futuro, Soely acredita que o mercado da beleza estará cada vez mais especializado, principalmente na área de cuidados capilares. Na visão dela, a profissão deve ir além das mudanças de visual, com serviços que exigem conhecimento técnico e qualificação constante.
O primeiro passo é começar
Depois de 29 anos na profissão, Soely tem um conselho para
quem deseja entrar nesse mercado: começar com o que tem, buscar conhecimento e
nunca deixar de aprender.
“Mesmo com o básico, comece. Estude sempre! Faça cursos
sempre que houver necessidade na área e, principalmente, para permanecer no
mercado, tenha sempre humildade”, aconselha.
Ela também acredita que a humildade é essencial para quem
trabalha diretamente com a autoestima das pessoas. Saber ouvir, respeitar os
clientes e reconhecer que sempre há algo novo para aprender são atitudes que
ajudam a construir uma carreira duradoura.
E, ao resumir o que considera necessário para dar os
primeiros passos na profissão, Soely volta ao essencial: “Uma cadeira, uma
capa, uma tesoura e muito amor pela profissão. Você sempre terá alguém para
atender!”
Sua trajetória mostra a importância da iniciativa individual
para construir um negócio, mas também abre espaço para uma reflexão sobre o
papel da colaboração. Em um mercado com tantas oportunidades e desafios,
compartilhar experiências e fortalecer os vínculos entre profissionais pode ser
um caminho para que mais pessoas cresçam, empreendam e contribuam para o
desenvolvimento da comunidade onde vivem.

