Cooperativismo que transforma: união e sustentabilidade movem mulheres em Campo Grande

 Por Yngrid Batista


Em Campo Grande, a Cooperativa de Trabalho e Empreendimento Mãos que Criam Mulheres Empreendedoras (COOPFAME) reúne mulheres que transformam óleo de cozinha usado em produtos de limpeza. Por meio do trabalho coletivo, a iniciativa busca fortalecer a produção, conquistar espaço no mercado e gerar oportunidades de renda para as cooperadas.

Cooperadas da COOPFAME participam da produção artesanal de produtos de limpeza. Crédito: Acervo da reportagem 





Além da proposta de reaproveitamento de um material que poderia ser descartado de forma inadequada no meio ambiente, a cooperativa representa uma oportunidade da participação social e busca por autonomia financeira para mulheres que encontraram no cooperativismo uma forma de empreender.

 A COOPFAME surgiu de uma necessidade percebida dentro de casa. Diva, fundadora da cooperativa, percebeu que as pessoas reclamavam dos preços elevados dos produtos de limpeza, que muitas vezes tinham apenas uma função. Ou seja, pagavam caro e conseguiam solucionar apenas um problema.

A partir disso, ela teve a ideia de produzir produtos de limpeza multifuncionais de forma sustentável, utilizando óleo usado recolhido da comunidade.

Diva, filtra o óleo de cozinha usado que será reaproveitado
na produção de produtos de limpeza. | Foto: Acervo Pessoa
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"Pegamos um tapete e fizemos uma rifa para pagar a primeira documentação”, conta a cooperada Iris Gregório, ao explicar as dificuldades enfrentadas para colocar a ideia em prática. Entre rifas e arrecadações, ela lembra que as mulheres que aderiram ao projeto contribuíram com 50 centavos cada uma. 

As dificuldades de um sonho

Produção de produtos de limpeza faz parte das atividades
desenvolvidas pela COOPFAME. Crédito: Acervo Pessoal.


No início, as participantes enfrentaram dificuldades financeiras para concretizar e formalizar a cooperativa. Diva conta que o custo da documentação inicial ficou em R$ 3 mil e que elas não tinham esse valor. Para conseguir apoio, buscaram ajuda de pessoas conhecidas, entre elas uma contadora que prestou o serviço sem receber imediatamente, contribuindo para o desenvolvimento do projeto.

A iniciativa também recebeu o apoio de outras pessoas que acreditaram na proposta e decidiram colaborar. Mesmo ainda estando no início das atividades, a cooperativa busca fortalecer sua estrutura e ampliar as oportunidades para as participantes.

Histórias além da produção

Por trás de um trabalho sustentável, existem mulheres que encontraram no trabalho coletivo uma oportunidade de ampliar a participação social, desenvolver novas atividades e buscar autonomia financeira.

Iris, cooperada da COOPFAME, destaca os benefícios do trabalho
 coletivo para a convivência social. | Foto: Acervo Pessoal  

À frente da iniciativa, Diva concilia o trabalho como agente de saúde com a dedicação à cooperativa. Durante o dia, exerce a profissão e, no fim da tarde, quando o sol abaixa, dedica-se à produção dos produtos.

 “É um desenvolvimento até mesmo para a mente. Enquanto estou aqui, eu estou exercitando, interagindo e empreendendo.”

Iris  conta que, antes de entrar para a cooperativa, passava a maior parte do tempo sozinha em casa. A participação no projeto trouxe novas experiências e oportunidades de convivência.

“Aprendi a ter amor próprio, valores que tinha esquecido, cuidar mais de mim e sorrir para a vida novamente.”

A cooperada Sirlene relata que, mesmo diante dos desafios para conciliar as atividades e do tempo apertado, sente satisfação em acompanhar todas as etapas da produção. Para ela, os encontros têm contribuído para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Sirlene afirma que cada esforço está valendo a pena. Ela já percebe retornos financeiros e conta que conseguiu conquistar alguns objetivos por meio da participação na cooperativa.

Cooperativismo na economia

Segundo dados do Panorama do Cooperativismo Sul-Mato-Grossense 2026, divulgado pelo Sistema OCB/MS, as cooperativas representam 18,2% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul.

Em 2025, o número de cooperados chegou a mais de 738 mil pessoas, enquanto as cooperativas reuniram mais de 17 mil trabalhadores. Os dados demonstram a presença do cooperativismo na economia estadual.

Na COOPFAME, a colaboração entre cooperativas também aparece na aproximação com a Cresol. A visita de representantes da cooperativa de crédito reforça a conexão entre organizações que compartilham o modelo cooperativista.

Gerentes da Cresol, Laura Aparecida Vianna e Franciely Massena, visitam as cooperadas da COOPFAME.| Foto: Acervo Pessoal

Essa troca contribui para dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas cooperadas e mostra como a união pode fortalecer iniciativas que ainda estão em fase de crescimento.

O futuro da cooperativa

Atualmente, a cooperativa conta com cinco cooperadas, mas Diva já tem planos para o futuro. Entre os objetivos estão atrair jovens e idosos para fortalecer o crescimento do projeto e contribuir para a geração de renda dessas pessoas.

Outra meta é conseguir um espaço maior para a sede da cooperativa, principalmente um local coberto. Hoje, a produção acontece em um espaço cedido na casa de Diva, que não possui cobertura. Segundo ela, as condições do ambiente e o manuseio dos produtos químicos dificultam o trabalho durante o dia.

Espaço cedido pela Diva para produção. | Foto: Acervo Pessoal

Mesmo diante dos desafios, as cooperadas seguem apostando no trabalho coletivo para fortalecer a iniciativa, ampliar a produção e construir novas oportunidades de renda e participação social.