Cooperativismo une geração de trabalho e acesso à saúde bucal em MS

Com planos odontológicos e ações comunitárias, a Uniodonto busca ampliar o acesso ao atendimento e gerar trabalho para dentistas cooperados.

Por Gabriel Telê

Criada há 52 anos por um grupo de 20 dentistas, a Uniodonto de Mato Grosso do Sul surgiu com dois objetivos: gerar trabalho para os profissionais e ampliar o acesso da população aos serviços odontológicos. A cooperativa reúne dentistas que participam das decisões e atendem pacientes por meio de planos odontológicos.


“A essência da cooperativa é isso. É você pode trazer o acesso a um serviço que normalmente não é tão acessível a toda a população”, afirma Fernando Cavalli, presidente da Uniodonto.


 Foto: Gabriel Telê

A atuação faz parte de um cenário maior. De acordo com o Panorama do Cooperativismo 2026, divulgado pelo Sistema OCB/MS, o estado tem 145 cooperativas, cerca de 738 mil cooperados e 17.121 empregos diretos. O setor representa 18,2% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul.


Além dos planos, a Uniodonto realiza ações comunitárias ao longo do ano. Entre elas estão atividades de orientação sobre higiene bucal e atendimentos com um consultório odontológico instalado em uma van, conhecido como odontomóvel. A cooperativa também distribui kits de higiene e participa de campanhas como o Dia de Cooperar (Dia C).


“É o momento que a gente costuma dizer que a gente consegue levar a cooperativa para dentro do bairro”, explica o presidente da Uniodonto.


                                                                        Foto: Gabriel Telê

Os resultados desse trabalho, porém, precisam ser analisados considerando tanto as ações comunitárias quanto o acesso aos serviços contratados. Uma pesquisa de satisfação da Uniodonto, realizada por telefone com beneficiários adultos entre 4 e 19 de dezembro de 2024, apontou que 84,85% avaliaram o atendimento odontológico como bom ou muito bom.


O levantamento também identificou dificuldades de acesso: 72,5% dos entrevistados disseram conseguir atendimento sempre ou na maioria das vezes, enquanto 27,5% responderam que isso acontecia apenas às vezes ou nunca. Os dados se referem aos beneficiários dos planos, e não às pessoas atendidas gratuitamente nas ações comunitárias.


Para o presidente da Uniodonto, o modelo cooperativista permite conciliar os interesses dos profissionais e dos pacientes. “Eu consigo ajudar as duas pontas, ajudar na remuneração do dentista e no trabalho dele, ajudar a população, dando um acesso a um serviço de qualidade a um preço muito baixo”, afirma.


O trabalho do cooperativismo em Mato Grosso do Sul também alcança outras áreas. Um exemplo é o CataCoop, iniciativa do Sistema OCB/MS voltada ao apoio de cooperativas de reciclagem. O projeto oferece orientação em áreas como gestão, finanças e organização das operações.


Para o presidente da OCB/MS, Celso Ramos Regis, a atuação dessas organizações pode beneficiar não apenas os cooperados, mas também as regiões onde estão inseridas.


“Independentemente do tamanho dela e do número de componentes dessa cooperativa em relação ao total da população no local, na região, no bairro, o grande beneficiado é exatamente a comunidade onde está inserida a cooperativa”, afirma.


Na área da saúde bucal, a atuação da Uniodonto combina a prestação de serviços por meio dos planos com iniciativas comunitárias. Para avaliar o alcance dessas ações, é importante considerar quantas pessoas são atendidas, em quais localidades e com que frequência, além das dificuldades que ainda limitam o acesso aos serviços